segunda-feira, 24 de agosto de 2009

- ANA

Mulher muito amada, a preferida do seu marido e este lhe tinha “um amor maior do que o amor de muitos filhos”, mas ela era infeliz por ser estéril (numa época em que não ser mãe era a desgraça de uma mulher). Seu marido realmente a amava e ficava preocupado vendo-a chorar e não se alimentar, tamanha era sua tristeza. Mas ele foi infeliz em lhe declarar o amor, dizendo que “ele lhe bastava, que seu amor por ela era suficiente, que valia mais do que o amor de dez filhos”.(1 Samuel 1.7- 8)

Ana sofria com a outra mulher de Elcana, a Penina (que apesar do nome não tinha pena de ninguém), a qual tinha filhos.

Um dia, quando o Elcana levou Ana até Silo, lugar de reunião e adoração dos judeus, ela orou muito pedindo que Deus lhe desse um filho que ela iria consagrá-lo ao seu serviço. Deus tinha um plano perfeito para Ana. Aparentemente havia barreiras que ela precisava ultrapassar para que o sonho de Deus se cumprisse em sua vida. Ana deparou-se com vários desencorajamentos. Seu marido tentava se colocar como algo melhor do que o propósito que estava no coração dela (v. 8), sua rival a provocava excessivamente (imagine o quanto!). Como deve ter ouvido a frase: “eu tenho... você não tem...” da boca maldosa de Penina, foi mal interpretada pelo sacerdote Eli, sendo vista como uma bêbada (vs. 9, 10) e, ainda, existiam os fatos naturais: esterilidade. (v.5). Não existia “fecundação in vitro”... Ela só tinha uma saída, para ela só a Providencia Divina e nisso ela cria!

Humilde... orou e perseverou na oração. Deus viu seu coração sincero e ela foi honrada por Ele.

Enquanto o sonho de Ana era o de gerar um filho, o sonho de Deus era levantar um rei para o povo de Israel. Esses sonhos se encontraram, e Deus fez o sobrenatural: fez com que Ana engravidasse; e assim ela foi mãe de Samuel: sacerdote e profeta oficial dos israelitas. Ela deu o filho ao Senhor como prometeu (1 Samuel 2. 20, 21) e por sua fidelidade, Deus lhe deu mais três meninos e duas meninas. Para quem chorava por um... que surpresa dos céus!

Ela ainda teve tempo para ser costureira de túnica (2. 19) e com alegria e gratidão ministrou louvores a Deus.

Ana viveu feliz , "curtindo" o amor de seu marido Elcana e realizada, cuidando, educando, amando seus cinco filhos. Que Deus lindo!!!!

- ISABEL

Essa mulher já era “de idade avançada” e sabia que toda a esperança de ter filhos estava perdida para sempre. Ela se sentia como se a sua vida tivesse passado e que as suas esperanças e seus sonhos nunca iriam se realizar.

O tempo passava e ela ia ficando cada vez mais velha... Será que era tempo de desistir do seu sonho?

É fácil supor que Isabel se sentia profundamente desapontada por causa de sua condição. Contudo, não há nenhuma indicação de que ela fosse uma pessoa amargurada ou que houvesse se voltado contra Deus. Em vez disso, nos é revelado que andava “sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor” (Lucas 1. 6). Esta expressão, “andar sem repreensão” significa uma vida bonita, exemplar diante da sociedade da época. Enquanto Zacarias, o seu marido, encontrou realização em uma atividade de destaque, como sacerdote, Isabel teve negada a função básica das mulheres de seu tempo: a maternidade.

Mesmo tendo vindo de uma família tradicional (ela era descendente de Arão, o primeiro sumo sacerdote (v. 5), se sentia desprezada pelas pessoas. Então, de forma fantástica, Deus se manifestou a ela. De repente, toda a vida de Isabel mudou.

Tida como estéril e desprezada, agora ela era o assunto da cidade. Não dá para esconder uma criança que vai nascer. Já não era mais simplesmente esposa de um sacerdote respeitado, era uma mulher realizada. Seu sonho embora parecesse tão demorado, aconteceu! A resposta da oração chegou (Lucas 1. 13). “E depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo: Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.” (vs. 24, 25).

A criança especial de Deus chegou no tempo certo, no tempo de Deus, sem absolutamente nenhum atraso.

Isabel, ao conceber, se ocultou por cinco meses. Isabel se escondia porque pensava que as pessoas poderiam interpretá-la incorretamente por ser “velha, estéril e sonhadora”: e, agora, estava grávida, mas ela “curtiu” sua gravidez vendo o marido “mudo” como um sinal de que o Senhor tinha grandes planos para o pequenino que iria nascer...

Quando a criança nasceu e foi circuncidada ao oitavo dia, segundo a tradição judaica, as pessoas desejavam que o menino recebesse o nome do pai, mas Isabel disse com intrepidez o nome que Deus havia escolhido para o filho dela: João. Seu nome será João! (v. 60).

Isabel foi uma mãe zelosa e sábia. Ela soube confiar em Deus e sujeitar-se à sua direção na criação de João Batista. O menino cresceu e se fortaleceu no Espírito Santo e foi o precursor de Jesus em seu ministério. Ele preparou o caminho do Senhor Jesus, levando o povo ao arrependimento e anunciando o Reino de Deus em Cristo Jesus.

E Deus cumpriu o seu propósito usando uma senhora idosa, estéril, entretanto, cheia de fé e confiança no seu Deus.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

- ESPOSA DE MANOÁ

"E havia um homem cujo nome era Manoá; e sua mulher, sendo estéril, não tinha filhos" (Juízes 13. 2).

Mas esta mulher com sua humildade, sua fé, seu caráter confiava no Deus que ouve e responde orações.

Ela era conhecida apenas como a esposa de Manoá , mas ela foi muito mais que a esposa de Manoá, ela foi uma mulher que nos deixou profundo exemplo de humildade, de fé e de um caráter marcante.

A sua vida não foi fácil, pois, em Israel, uma mulher não ter filhos significava que estava em pecado e, por isso, Deus a estava castigando. Muitos a olhavam com um ar de censura e isto deixava a sua alma angustiada. Por causa de tamanho sofrimento que ia além de suas forças, ela se achegou mais ao Senhor.

A esposa de Manoá tinha, diante do Senhor, um espírito humilde que muito a aproximou do Senhor.

Deus ouviu a oração da esposa de Manoá que com muita fé rogou a Ele que mudasse a sua vida e lhe desse um filho. E o anjo do Senhor apareceu a esta mulher, e disse-lhe: “Eis que agora és estéril, e nunca tens concebido; porém conceberás, e terás um filho... Porque eis que tu conceberás e terás um filho... e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus." Juízes 13. Ela creu no que ouviu e como era uma mulher obediente fez exatamente como o anjo lhe disse.

Ela teve marcantes experiências com Deus. Teve o privilégio de receber em sua casa o Anjo do Senhor que lhe disse que ela teria um filho. Imaginem a alegria indescritível que ela sentiu. Ela devia estar se sentindo a mulher mais importante da terra!!! Teria o tão desejado filho e ele seria um filho especial! Vinha cheio de recomendações do céu!! Com certeza seu coração pulsou como nunca antes! Quando o Anjo lhe deu algumas recomendações que deveriam ser seguidas, ela percebeu o quanto o Senhor estava se importando com ela. Finalmente o Anjo deu instruções a respeito daquele filhinho que ela tanto almejava, e ela viu o quanto Deus se importava com seu filho tão desejado.

Foi assim que a esposa de Manoá se sentiu. Ela era uma pessoa importante para o Senhor que a estava abençoando por causa da sua forte fé. Conhecida pelo nome do seu marido, mas com garra e fé em Deus, essa mulher, que era estéril seria simplesmente a mãe de um valente que livraria a Israel da mão dos filisteus.

Ela não fez perguntas, não duvidou de nada, mas saiu para contar a seu esposo. Juízes 13. 24 diz que a mulher de Manoá teve "um filho, a quem pôs o nome de Sansão; e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou."

Até aqui a conhecíamos como a mulher de Manoá, mas agora sua vida mudou radicalmente. Antes, ela era uma mulher triste. Agora, ela se transformou em uma mulher feliz e realizada. Antes ela apenas uma mulher casada com Manoá, mas agora ela seria a mãe de Sansão, que foi juiz em Israel e foi considerado o homem mais forte que já existiu na face da terra.

- MARIA

Você já ouviu falar de uma mulher mais corajosa que essa?

O que sabemos com certeza a respeito de Maria é que era uma virgem nascida em Nazaré da Galiléia, provavelmente descendente de uma família sacerdotal e “desposada com um justo homem chamado José, da linha de Davi”. (Lucas 1. 27).

“No casamento judaico era efetuado em duas etapas, a primeira chamada erusim ou kiduschin, quando os noivos se comprometiam perante algumas testemunhas, porém não iam viver juntos. Se houvesse relação sexual comprovada nesse período os noivos eram censurados. Caso a moça tivesse uma relação sexual com outro homem seria acusada de adultério e conseqüentemente apedrejada, conforme a lei judaica. Após cerca de um ano de compromisso os noivos se casavam numa cerimônia conhecida como nisuim ou kuplah e iam residir juntos, a fim de constituir família. Às vezes a mulher podia ser repudiada por ser estéril ou mesmo muito feia”.

Maria, ainda noiva, engravidou (VS. 26-38) e José quis abandoná-la secretamente (Mateus 1.18-19). Ele não queria vê-la sendo apedrejada. Foi quando ele teve um aviso em sonho de que Maria era inocente e havia concebido um filho pelo Espírito Santo. Então José continuou a viver com ela (vrs.18-20). Maria ficara radiante porque nela se cumpria a gloriosa promessa feita a Israel da vinda do Messias.

Um dia Maria foi visitar sua prima Isabel, casada com o sacerdote Zacarias e que também estava grávida. O encontro foi uma festa, pois o bebê que Isabel esperava (João Batista) saltou de alegria ao escutar a voz da mãe do Salvador. Elas se abraçaram e “contaram as bênçãos”. Maria inspirada, compôs um lindo poema louvando e glorificando o Deus de Israel, por ter sido escolhida, pela salvação do seu povo, confessando também ser uma pecadora necessitada de salvação pessoal (Lucas 1:46-55). Maria ficou três meses com Isabel e depois voltou para casa, para seu marido.

Em Lucas 2:1-20 temos os detalhes do nascimento do seu filho. Oito dias após o menino foi circuncidado, recebendo o nome de Jesus.

Mateus 2. 1-18 relata a tenebrosa armadilha de Satanás para matar seu bebê, usando o monstruoso Herodes, ordenando a matança dos meninos de dois anos para baixo, mais outra vez Deus fala com seu marido em sonho, e os três fogem para o Egito, de lá regressando somente após o hediondo massacre (vrs.19-22).

Logo após Maria com seu marido e seu filhinho foram para Nazaré da Galiléia (Lucas 2:1-39), onde Jesus, provavelmente, teve uma infância tranqüila e saudável, “crescendo em estatura e graça diante de Deus e dos homens”.

Quando Jesus tinha 12 anos de idade, foram ao templo e ao voltarem para casa ela percebeu que seu filho não estava com eles. Quantas perguntas devem ter sido feitas ao seu angustiado coração? Quando o encontraram... que alívio! Ele estava ocupado “tratando dos negócios de meu Pai? “ (Lucas 2:41-49).

Maria era uma mulher judia comum, imperfeita como todas as mães, amava seus filhos e, como nós pensava que seus filhos eram “seus” filhos, mas ela tinha uma vida santa e irrepreensível e tinha palavras “guardado no seu coração” (Lucas 2. 19). Com certeza ela sempre pensava nelas, e como seu coração devia ficar “apertado”!... Ela sabia que era preciso ir se preparando, pois já se aproximava o momento de despedir-se do seu tão amado Filho. Mesmo tendo mais seis filhos este ia fazer muita falta quando “voltasse para o Seu Pai”!

Como toda mãe judia, desejava interferir na vida do filho, porém ela sabia que fora escolhida por Deus para um propósito e Jesus, agora, não dependia mais dos conselhos dela. (Marcos 3. 31-35 e Lucas 11. 27-28).

Um dia a família foi convidada para um casamento e no meio da festa ocorreu um sério problema: o vinho acabou. Ao avisar ao Filho que o vinho da festa acabara (ela sabia que Ele poderia resolver o problema), Ele atendeu o seu pedido e transformou imediatamente cerca de 450 litros d'água em precioso vinho. Dessa situação tiramos o único mandamento de Maria aos Cristãos: “Façam tudo o que Ele (Jesus) mandar” (João 2. 5).

Em seguida Maria e seus seis filhos, juntamente com José retiraram-se para a Galiléia (João 2:1-11).

Finalmente Deus cumpriu o propósito com o Seu Filho. Jesus foi para cruz e quando suportava a agonia da morte, Maria estava lá, junto dele, e Jesus vendo João ao seu lado (João 19. 25-27), considerando que seus irmãos eram incrédulos (João 7. 5) e não iriam cuidar espiritualmente dela, a entregou aos seus cuidados dizendo: “Mulher, eis ai o teu filho”..., (como era sublime chamar uma mulher de “mulher”!) .

Provavelmente ela se encontrava entre os 500 discípulos a quem Jesus apareceu após a morte e antes de sua ascensão aos céus (1 Coríntios 15:6). Como estava sempre presente nas reuniões de oração da comunidade cristã (Atos1.14), é provável que Maria tenha sido uma das pessoas que foram fortalecidas com as línguas de fogo derramadas no Dia de Pentecostes (Atos 2:1-6). A partir de Atos 1.14 Maria não é mais mencionada. Ela já tinha cumprido o objetivo de Deus em sua vida!

Há escavações arqueológicas realizadas neste século, dizendo ter sido encontrado a casa onde Maria morou até sua morte, numa ilha, em Pátmos. Isso, sendo real, comprova que ela morou realmente com o discípulo amado, seu “filho” João.

Alguma mãe sofreu mais que essa?

- MARIA MADALENA

Esta mulher nos dá um lindo exemplo de dedicação ao Senhor.

Poderia ser chamada apenas de “Maria”, nome muito comum naquela época, mais ela é conhecida como "a mulher pecadora”. Que rótulo triste este, mais ela, corajosamente, rompeu com as convenções sociais, foi lindamente transformada, e teve uma vida marcada na historia bíblica.

Antes de conhecer Jesus, ela tinha uma vida miserável. Morava numa cidade que ficava a oeste da Galiléia, chamada Magdala (daí o seu nome Madalena). Ela não era uma mulher feliz, nem se parecia com as outras mulheres que moravam ali. Ela era uma mulher possuída por vários demônios. Apesar desta vida de sofrimento e pesadelos, Jesus libertou-a daquele tormento que a dominava a muito tempo e a fazia sofrer tanto. Agora ela era liberta e feliz. “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios..." (Lucas 8. 2). Um demônio sozinho já faz tanta arruaça na vida de uma pessoa, imagina sete! Mas o amoroso Jesus a transformou numa nova criatura. Antes ela era maltratada pelos terríveis demônios que a atormentavam e a dominavam, mas agora ela amada, era livre, livre para seguir ao Senhor Jesus, seu libertador! Maria Madalena se tornou uma mulher profundamente agradecida ao Senhor! Sua vida foi restaurada e ela, agora, desejava servi-Lo para sempre e ela o seguiu, fielmente por três anos.

Ela estava ao lado do seu Senhor e amigo Jesus, assistiu sua morte, estava entre as mulheres que viram Nicodemos e José de Arimatéia tirarem o corpo já morto de Jesus da cruz, viu quando envolveram o Senhor morto num lençol e testemunhou o fechamento do sepulcro com uma grande pedra.

Maria nunca abandonou o Senhor. Passado o sábado compraram aromas para irem embalsamá-lo (v. 9). Antes do sol nascer, ela foi ao sepulcro levando especiarias para perfumar o corpo de Jesus, como era costume na época.

No caminho ela e suas amigas tinham uma grande preocupação: Maria viu o tamanho da pedra que fechava a abertura do tumulo e, como mulher, sabia que seria muito difícil remover-la para poder entrar e ter acesso ao corpo. Mas quando chegou lá teve uma surpresa! Ela notou que a pedra havia sido removida. Viu as faixas de linho no chão e o pano que envolvia a cabeça estava separado em outro lugar. Com o coração transtornado, ela chorou. Mas ao olhar para dentro da sepultura, ela viu duas pessoas vestidas de branco e sentadas onde Jesus havia sido colocado. E eles disseram: "Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde O puseram" (João 20. 13). Maria chorava e falava ao mesmo tempo, mas, quando ela se virou, viu Jesus de pé, mas não O conheceu. O Senhor, então, amorosamente, chamou pelo seu nome... Maria! Agora, ela reconheceu Sua voz. Quem estava ali era o Senhor! Emocionada e feliz ela respondeu... Rabôni (que quer dizer Mestre)!

Ele ressuscitou de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a ela, a ex- infeliz, a ex-atormentada, a ex- endemoniada, a ex-pecadora. Confiou a ela uma grande notícia: “Conte para os outros, Maria, conte que EU, O Seu Jesus ressuscitou!!!



- SARA

A mãe da raça hebraica, nossa mãe na fé!

“O Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei... Partiu, pois, Abrão, como lho ordenara o Senhor... Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Levou Abrão consigo a Sarai, sua mulher... (Genesis 12. 1).


Historiadores dizem que Abrão, aos catorze anos de idade, quando ainda residia em Ur dos caldeus com sua família, começou a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria adorando as imagens de escultura. Então Abrão não aceitou mais adorar ídolos com o seu pai Tera e começou a orar a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro dos filhos dos homens e também a de seus descendentes. Dizem tambem que Abrão casou-se com Saraí, no ano 49 de sua vida.


Então, pela fé, ela e seu marido abandonaram tudo - sua terra, seus familiares, a casa do pai - e seguiram para uma terra que o Senhor lhes prometeu. Não deve ter sido fácil para ela. Sarai tinha a sua vida calma, tranqüila, juntamente, com seu marido na cidade de Ur dos caldeus. Agora, tudo iria mudar. A sua vida daria uma reviravolta sem igual! Ela iria para uma terra que não conhecia e que Deus disse: "... para a terra que te mostrarei." Certamente, foi difícil para Sarai deixar a bela cidade de Ur que ficava às margens do rio Eufrates. Mas, por amor a seu esposo e, principalmente, por amor a Deus, ela partiu.


Sara era mulher formosa à vista (v. 11), mas além de ter a beleza física, ela também tinha um espírito muito bonito, pois era leal, correta, submissa a seu marido. Esta obediência rendeu-lhe, em algumas ocasiões, momentos de sofrimento e desesperança.


Abrãao vivia pacificamente em uma montanha entre Betel e Hai, quando sobreveio fome. Ele possuía muito gado, e necessitava de pastagens e água para o alimentar. Então resolveu pegar suas coisas e se mudar: “...desceu...Abrão ao Egito, para aí ficar ...” (v. 10).


Abrão tinha cerca de setenta anos de idade, e Sarai, cerca de sessenta quando foram para o Egito pagão. Então ele olhou sua bela esposa e lhe propos uma “armação”. Ele disse: "... Ora, bem sei que és mulher formosa à vista; E será que, quando os egípcios te virem, dirão: Esta é sua mulher? E matar-me-ão a mim, e a ti te guardarão em vida. Dize, peço-te, que és minha irmã, para que me vá bem por tua causa... " (VS. 11-13).


Para escapar do assédio e sabendo que sua vida correria perigo, Abraão combinou com ela que deveria dizer que era sua irmã (na verdade, ela era meio irmã, pois era filha do mesmo pai. Os antigos no Oriente casavam até mesmo com irmãs, prática que mais tarde a legislação de Moisés proibiu, por considerá-la incestuosa (Levítico 18. 9).


E realmente, ao chegarem ao Egito, começou a se falar da grande beleza de Sarai. Todos os príncipes e pessoas importantes de lá ficaram sabendo dela. Abrão percebeu isso, e então lembrou Sarai: “Lembre-se, você é minha irmã. Temos um acordo. Minha vida em suas mãos!” Isso era covardia absoluta - absoluta falta de fé!


Deus havia feito promessas pessoalmente a seu marido: “Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande” (15:1). O Senhor também prometeu a Abrão que seria “... sepultado em boa velhice” (v. 15). Além disso, prometeu que todo aquele que tentasse lhe molestar ou amaldiçoar, seria amaldiçoado: “Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (12: 3). Na verdade Abrão não corria perigo, Sarai sim! Com certeza ela desejou ouvir do marido: “Esta mulher é minha esposa. Tirem as mãos!” Deus o teria honrado. O Senhor teria protegido tanto a ele quanto a Sarai.


Por causa da sua extrema beleza, Sara foi desejada por faraó e ele a levou para o seu palácio e a colocou como mais uma no seu harém. “Viram-na os príncipes de Faraó a elogiaram diante do faraó; e a mulher foi levada para a casa de Faraó. Este, por causa dela, tratou bem a Abrão...” (12: 15-16). Sara estava nas mãos de um ímpio. Ela poderia ser contaminada, corrompendo a semente da promessa de Deus


Como Sara deve ter sofrido com esse episodio! Sara deve ter pensado que talvez nunca mais visse Abraão, mas por causa de sua grande fé, esperou que o Senhor agisse e Deus cuidou dela, a honrou e abençoou. O faraó não encostou a mão em Sarai! Ele foi impedido por Deus!


Quando faraó descobriu que ela era casada, disse a Abrão: “Por que você fez isso?” “... toma-a e vai-te” (v. 19). Faraó deu grande dote a Abrão por Sarai e ele saiu de la mais rico ainda.


Apesar de tanta beleza e tanta riqueza Sarai não era feliz. Ela era estéril.


Deus prometeu a seu marido que ele teria um filho... ”aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro” (15. 4). Passaram-se dez anos e nada.. o filho não vinha, então ela decidiu dar uma mãozinha para Deus. Era comum, naquela época, uma serva deitar-se com seu patrão se sua senhora não pudesse gerar filhos. Sara, então, deu permissão a Agar, sua serva egípcia, para dormir com seu esposo. Sua escrava teria o "filho prometido" que ela não poderia dar a ele. Sara pensava que este seria o filho da promessa, então “Sarai, mulher de Abrão, tomou a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido... ele a possuiu, e ela concebeu... foi sua senhora por ela desprezada. (16 . 3, 4).


Ela sofria com o resultado de sua precipitação e com sua infertilidade! Seu marido pai pela primeira vez aos oitenta e seis anos (v. 16)...e ela quando seria mãe?


A ajuda que ela quis dar a Deus só causou angústia e sofrimento, tanto no momento como no futuro, pois os conflitos que existem hoje entre árabes e judeus são devidos a este ato impensado de Sara. Ismael, filho da escrava, foi o pai da raça árabe, hoje constituída quase totalmente de muçulmanos, os maiores inimigos dos cristãos. (VS.19, 21).


Quando Ismael tinha treze anos e Abrão noventa e nove anos o Senhor lhe disse:...não mais serás chamado Abrão, mas Abraão será o teu nome... Quanto a Sarai, tua, mulher, não lhe chamarás mais Sarai, porem Sara será o seu nome.... e também dela te darei um filho e ela será mãe... e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? Dará à luz Sara que tem noventa anos? Na verdade, Sara tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe chamarás Isaque (17. 15 – 17, 19).


Aquele diálogo de Deus com seu marido, com certeza, ficou martelando direto no seu coração... devia ser uma mistura de alegria e medo, medo de sofrer outra decepção.


Então... olhou e eis três homens de pé em frente dele... Perguntaram-lhe eles: Onde está Sara tua mulher? Ele respondeu: Está ali na tenda. Um deles lhe disse: certamente tornarei a ti no ano vindouro; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara estava escutando à porta da tenda... Ora, Abraão e Sara eram já velhos, e avançados em idade; e a Sara havia cessado o incômodo das mulheres. Sara então riu-se consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? Perguntou o Senhor a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo: É verdade que eu, que sou velha, darei à luz um filho? Há, porventura, alguma coisa difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, no ano vindouro, tornarei a ti, e Sara terá um filho. Então Sara negou, dizendo: Não me ri... riste.(18. 1, 9 – 15).


Vinte e quatro anos mais tarde Sara teve de se mudar com o marido para alimentar e dar água aos seus grandes rebanhos (13. 2).


O que Abraão faz de novo? Vai até Sara e diz: “Quero pedir para você me ajudar de novo. Você precisa dizer que é minha irmã. Sara, a minha vida está nas suas mãos!” È inacreditável! Que cara de pau! (20: 2).


Abraão agora tinha noventa e nove anos, e Sara quase noventa.


Mas em Gerar, algo parecido sucedeu. O rei Abimeleque, que dirigia a região, pôs os olhos em Sara - e a quis! Sara foi para mais um harém pagão - porém a semente de Deus ainda não tinha nascido. Mais uma vez Abraão colocou sua esposa, sua família e o futuro Israel em jogo. A semente prometida deveria vir através de Sarai - e ela poderia ser contaminada por homens ímpios! Mas novamente prevaleceu a promessa de Deus. Deus fez com Abimeleque o mesmo que havia feito com o faraó: travou os úteros! Ninguém podia tocar Sara. Deus disse a Abimeleque: “...ter impedido eu de pecares contra mim e não te permiti que a tocasses” (Gênesis 20:6). Deus impediu que Abimeleque agisse de modo imprudente, frustrando Seus propósitos. Na verdade impediu, por Sara, que Abimeleque pecasse!


Esta mulher deve ter sido extraordinária. Qual o sabonete ou óleos que ela usava, que tipo de regime ela fazia ou que ginástica, para ser tão desejada e aos noventa anos?


Para todo lado que fosse se espalhava a fama da sua beleza - tanto que os reis mandavam buscá-la!


Treze anos depois Deus aparece a Abraão quando finalmente Depois nasceu ISAQUE, o herdeiro legítimo de Abraão, Isso pode indicar um tratamento de Deus, forçando-o a esperar - por causa de sua "escorregada",


O Senhor visitou a Sara, como tinha dito, e lhe fez como havia prometido. Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara; e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque... Pelo que disse Sara: Deus preparou riso para mim; todo aquele que o ouvir, se rirá comigo... Quem diria a Abraão que Sara havia de amamentar filhos? No entanto lhe dei um filho na sua velhice. (21. 1 – 4, 6, 7). “Nada lhe é impossível”, mesmo a capacidade de ter um filho à uma senhora idosa, cujo corpo não espera mais a maternidade.


Sara, cujo nome significa "princesa", foi um exemplo de submissão e lealdade. Temente a Deus , sua fé a colocou na galeria dos heróis da fé encontrada em Hebreus 11.11.


Esperando em Deus, teve seu sonho realizado. Foi mãe aos 90 anos.

- RISPA

A mãe incansável!

Rispa era uma mulher forte e de caráter firme. Seu nome significa “pedra quente”. Ela foi esposa do rei Saul e teve com ele dois filhos: Armoni e Mefibosete.

A Bíblia nos relata que houve três anos de fome em Israel. Foi um tempo difícil e com grandes perdas para o povo e a nação. O rei Davi então consultou ao Senhor e o Senhor respondeu: “Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque ele matou os gibeonitas.” (2 Samuel 21.1).

Davi chamou os gibeonitas e lhes perguntou: “O que quereis que eu vos faça?...E a sua resposta foi: ...“de seus filhos se nos dêem sete homens, para que os enforquemos...” (v.3-6.)

Davi estava diante de dura situação: de um lado o povo de Israel, sofrendo com a seca as conseqüências da desobediência de Saul, seu antecessor, e de outro lado a dor de mandar enforcar homens da sua própria família, pois Davi era genro de Saul... Saul não respeitara a aliança feita por Josué aos gibeonitas (Josué 9.15, 20-21). E Davi teve de escolher sete homens da família de Saul para serem enforcados, para que a chuva pudesse novamente cair sobre a terra de Israel.

Davi escolheu os cinco netos de Saul, e os dois filhos de Rispa, filhos de Saul. A Bíblia diz que foram mortos nos primeiros dias da ceifa da cevada.

Seus corpos foram esquecidos pelos seus executores, foram deixados pendurados na arvore, ao relento. “Então Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de saco, e o estendeu para si sobre uma penha, desde o princípio da ceifa, até que sobre eles caiu água do céu; e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite.” (v. 10)

Rispa assistiu ao milagre da chuva caindo depois de três anos de seca após a execução dos seus dois filhos; conseqüência da atitude errada de Saul e de seu “zelo” pelo Senhor, Rispa pôde ver o valor de uma aliança feita diante de Deus... As conseqüências do rompimento de uma palavra empenhada.

Rispa, a mãe de Armoni e Mefibosete, que era a “pedra quente”, firme como uma rocha “tomou um pano de saco e o estendeu para si sobre uma penha em frente aos cadáveres de seus filhos e os ficou guardando de dia e de noite, desde o princípio da ceifa, até que sobre eles caiu água do céu e não deixou as aves do céu pousar sobre eles de dia, nem os animais do campo de noite.” (v.10).

Ela que era acostumada ao conforto do palácio, se sentava em poltronas macias... Ao colocar ali um pano de saco e não um tapete “persa”, ou uma almofada confortável, percebe-se a dor de Rispa; sua humilhação diante de Deus em favor de seus filhos.

Imagine a dor dessa mulher diante dos corpos em decomposição, dia e noite! Imagine o que se passava em seu coração de mãe! Suas lágrimas e o desejo de vê-los com um sepultamento digno, pelo menos.

(Na lei judaica adiar o sepultamento é visto como um desrespeito para com o morto. Logo após o falecimento, o corpo é coberto, pois segundo a tradição se considera que deixar o corpo à vista, se deixar os corpos expostos, é uma violação do princípio de "kevod ha'met", respeito pelos mortos. A lei ordena que o corpo seja sepultado o mais breve possível, de preferência no mesmo dia. Esta regra deriva de uma injunção bíblica no caso de um criminoso ser condenado a pena de morte e enforcado numa árvore: "Seu cadáver não poderá permanecer ali durante a noite, mas tu o sepultarás no mesmo dia" (Deuteronômio 21:23). Uma exceção é feita no Shabat, durante o qual não se pode realizar o enterro. É proibido a exibição de féretro aberto. O morto deve ser envolto por um sudário branco (tra’hrihim) depois de ser lavado e purificado. O enlutado não está só; muito pelo contrário, ele faz parte da 'comunidade' dos "enlutados de Sion". Primeiramente, durante a Shivá (a primeira semana de luto), realizam-se diariamente serviços religiosos na casa dos enlutados...).

Com foi diferente com Rispa! Ela ficou em seu posto sozinha. O “grupo de intercessão judaico” não apareceu! Espantava as aves de dia e as feras de noite. Ela não tinha medo. Não saía de sua “torre de vigia”, mas esperava que o rei se compadecesse e desse um sepultamento digno de nobres aos seus filhos. Ela ficou por muitos dias ali, passaram-se mais de dois meses “e foi contado a Davi o que fizera Rispa “(v. 11). O rei ficou sabendo o que Rizpa estava passando... a sua persistência chegou ao conhecimento do rei! “Então foi Davi... e tomou também os ossos dos enforcados... enterraram os ossos... e fizeram tudo o que o rei ordenara. Depois disto, Deus se tornou favorável para com a terra”. (VS. 12, 13, 14). Enquanto Davi não honrou aos que morreram pelo pecado de outro (enterrou seus filhos nas sepulturas dos reis de Israel), não houve o favor, a bênção de Deus sobre a terra. E foi Rispa quem fez a mão do rei Davi trazer a bênção novamente sobre Israel.

Rispa é um forte exemplo de amor materno!